Em ano de recessão, são estas as quatro forças que mais vão impactar o mundo do trabalho (empregadores e profissionais)

Em 2023, num momento em que as perspectivas de recessão alimentam um clima de instabilidade, o estudo “The New Human Age” do ManpowerGroup conclui que, embora a tecnologia possa ser o maior facilitador, os humanos continuarão a ser os catalisadores para o futuro. 

O estudo do ManpowerGroup identifica quatro forças: Alterações Demográficas, Escolha Individual, Adopção Tecnológica e Aceleradores da competitividade, e 14 tendências para 2023 que irão moldar o mundo do trabalho e impactarão os empregadores e profissionais de hoje e do futuro.

Conheça-as:Alterações demográficas:As taxas de natalidade continuam a diminuir, ao mesmo tempo que as populações envelhecem, criando-se uma escassez aguda de talento, nomeadamente nos sectores em crescimento. Até 2030, esta escassez global de trabalhadores chegará aos 85 milhões, o equivalente à população total da Alemanha.

Este contexto põe em questão os limites da reforma, abrindo caminho para a reintegração na vida laboral de milhões de reformados, capazes e altamente motivados. Pessoas que, com uma vida inteira de experiência profissional, podem fazer a diferença.

Ao mesmo tempo, está também a aumentar participação da Geração Z no mundo do trabalho, devendo os centennials representar, até 2025, 27% da força de trabalho. Das mudanças climáticas ao movimento LGBTQ, esta é uma geração que está a exigir mais dos seus empregadores. De acordo com o estudo, 88% destes trabalhadores afirmam que a pandemia mudou o que desejam do seu trabalho e 52% consideram que as empresas não estão a fazer o suficiente em relação ao meio ambiente.

O foco dos trabalhadores e organizações está também no S, de Social, sendo que as empresas devem concentrar-se em criar emprego “Net Positive” – ampliando a diversidade, equidade, inclusão e sentimento de pertença, aumentando a empregabilidade individual e dando aos trabalhadores um maior controlo sobre o seu progresso, para que estes sintam confiança de que têm as competências necessárias para hoje e para o futuro.

Escolha Individual:A pandemia tornou o trabalho flexível uma realidade para muitos, mudando o paradigma em relação à forma como as pessoas equilibram o trabalho e a vida pessoal. Os trabalhadores querem, assim, mais opções sobre quando, onde e como realizarão o seu trabalho e, de acordo com o estudo, 64% da força de trabalho ponderaria procurar um novo emprego se fosse obrigada a regressar ao escritório a tempo inteiro

Ganham também cada vez mais importância aspectos como a realização pessoal e a formação e crescimento, em detrimento da simples progressão na carreira. Nesse sentido, 57% dos colaboradores já estão a procurar formação fora do trabalho, uma vez que consideram os programas de formação das empresas não os preparam com capacidades relevantes.

Ao mesmo tempo, o alinhamento das práticas empresariais com as necessidades das mulheres deve ser uma das principais prioridades dos empregadores em todo o mundo, com os resultados do estudo a indicarem que as mulheres profissionais afirmam que, ao trabalharem remotamente, têm menos probabilidade de ter acesso a tempo com líderes seniores (37%), aprender com outras pessoas (31%) ou serem consideradas para uma promoção (29%).

A saúde profissional continua a ser um elemento fundamental na agenda dos empregadores e as empresas que construírem os seus modelos de negócio na expectativa de um ultra-compromisso dos seus colaboradores podem precisar de repensar a sua estratégia, dadas as crescentes possibilidades de escolha dos trabalhadores e as suas opções de estilo de vida.

A consciência de que trabalho e produtividade não são sinónimos de tempo investido ganha cada vez mais adeptos e quase quatro em cada 10 trabalhadores trocariam 5% do seu salário por uma semana de quatro dias.

Adopção tecnológica:À medida que as organizações continuam a investir em tecnologia, vão precisar de promover internamente as competências digitais, ao mesmo tempo que recorrem a talento externo, para maximizar o retorno sobre o investimento.

Embora muitos vislumbrem um abrandamento económico geral em 2023, a procura de talento vai manter-se forte em muitos sectores em crescimento e impulsiona os empregadores nestes sectores a procurarem formas criativas para preencherem posições que exigem um nível médio-alto de competências.

A combinação da inovação tecnológica com o engenho humano irá gerar um maior crescimento económico e ajudar a superar os grandes desafios da sociedade. Nesta nova era, as soft skills como a capacidade de colaborar, de resolver problemas ou ser confiável são ainda mais importantes. Deixou de ser correcto pensar-se em “humano versus automação” – as empresas precisam agora de usar o poder da tecnologia para reumanizar, não desumanizar, o local de trabalho.

Aceleradores da competitividade:Numa economia global e digital-first, o acesso a talento altamente qualificado é uma vantagem competitiva diferenciadora. No entanto, o mercado para os melhores e mais brilhantes não tem fronteiras, pelo que competir – e vencer – essa luta pelo talento também significa procurar estes profissionais de forma global.

No actual contexto de incerteza económica e geopolítica, as empresas, para poderem crescer, devem gerir riscos e criar resiliência. O conflito na Ucrânia, as preocupações com a recessão, a inflação persistente e as interrupções nas cadeias de abastecimento estão, assim, a alavancar um reposicionamento em direcção a sistemas regionais e à consolidação de fornecedores, com uma crescente adopção de modelos onshoring ou nearshoring.O estudo “The New Human Age”, do ManpowerGroup, apresenta informações de 13 mil decisores e de oito mil profissionais de oito países e regiões.

Fonte: https://hrportugal.sapo.pt/

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